A Alteridade nas relações entre os Povos

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alteridadeConsiderando o conceito de Alteridade como um processo de interação, de convívio entre o “Eu” e o “Outro” na busca do diálogo e de relações pacíficas, compreende-se que a ética – como proximidade e valorização do “Outro” – e a política – como realização da justiça e do bem comum – determinam os fundamentos de uma nova sociedade, fruto do encontro criativo entre o “Eu” e o “Outro”, entre “Nós” e os “Outros”.

O dinamismo que se espera acontecer – na “praça comum” da multiculturalidade – é a construção de pontes que favoreçam a interação entre as culturas e os Povos. O objetivo é promover o encontro entre a diversidade para uma compreensão recíproca sem abdicar à própria identidade.

 Etapas de um itinerário obrigatório:

 

  • A Pluralidade Cultural

Define a presença de diversas culturas na mesma realidade social. A partir da metáfora de John Hick, seria o momento em que os diversos povos, após anos de isolamento, desembocam na mesma planície ou “praça comum”. Cada povo procura manter sua própria identidade, às vezes erguendo muros ideológicos e desencadeando conflitos étnicos, culturais e religiosos.

  •  O Multiculturalismo

Designa um conjunto de políticas públicas – específicas – com o objetivo de favorecer e gerir a coexistência procurando minimizar e reduzir os possíveis conflitos culturais. O Multiculturalismo propõe a coabitação num mesmo espaço social de culturas diferentes sob o princípio da tolerância e do respeito à diferença. É o primeiro passo rumo à interculturalidade.

  •  A Interculturalidade

Indica um conjunto de propostas de convivência democrática e pacífica entre diferentes culturas, buscando a integração recíproca, sem anular sua diversidade (Identidade); ao contrário, fomentando o potencial criativo e vital que resulta das relações entre diferentes agentes e seus respectivos contextos. É o passo decisivo para superar o “princípio da tolerância” e se aventurar na construção do “Terceiro” entre o “Eu” e o “Outro”.

“A humanidade entrou em fase de mundialização, e a civilização que virá – se houver uma – não poderá ser senão planetária” (Jacques Robin). Nesse novo contexto urge reestruturar as relações humanas a partir do respeito, do reconhecimento e da valorização da Alteridade.