Marshall McLuhan, um dos principais estudiosos contemporâneos da comunicação, é o criador da definição “Aldeia global”, o nosso mundo. Um mundo em que os habitantes estão unidos por laços que estão, cada vez mais, com maior interdependência.

Assistimos, de fato, a um acentuado processo de globalização política, econômica e cultural que, reduzindo as distâncias entre os povos, torna mais comuns os problemas. Para se enfrentar essa nova configuração mundial, precisamos de novas atitudes.

A primeira delas consiste em criar uma maneira de pensar “globalmente”. É verosímil que o medo da destruição total da vida do planeta nos ensine a avaliar diferentemente as virtudes, como a prudência, a atenção aos outros e ao mundo que nos envolve, na linha de uma redução geral da agressividade. Pode ser que tudo isso seja somente um aspecto de uma nova modalidade de pensar globalmente que tornasse cada vez mais indispensável, frente aos processos de unificação que estão se impondo no mundo”, argumenta o filósofo alemão Hans-Georg Gadamer.

Uma segunda atitude é a escolha do diálogo. Como o próprio Gadamer afirma, “É um diálogo que pertence à tradição europeia, mas que expressa algo de universal, isto é, o reconhecimento do outro como titular de direitos. Além disso, é preciso perceber, de forma
cada vez mais clara, que o ideal do diálogo se impõe em uma época em que a colaboração entre todas as culturas torna-se necessária e inevitável frente à ameaça ecológica”.

Quais as consequências positivas destas atitudes?

A) A fuga das angústias de um pensamento fechado, que se origina do medo em relação ao diferente, sobretudo quando
o diferente é estrangeiro. O medo que surge da ignorância e da falta de informação. Não é, então, suficiente a boa vontade para se tornar acolhedores, mas é preciso buscar sempre o conhecimento;

B) A união entre culturas por meio de um sábio e inteligente confronto que, colocando-nos no relacionamento com o diferente, nos permite a purificação. Nenhuma cultura é absoluta ou nem mesmo é totalmente inocente, porque os seres humanos nunca são inocentes, mas isso não significa que tem que ser combatida. No confronto, tudo se purifica, sendo a cultura um valor e não um ídolo, uma via e não a meta;

C) A atenuação dos conflitos e das tenções interculturais e inter-religiosas;

D) A solução, por meio da colaboração de todos, dos mais importantes problemas que ameaçam o futuro da humanidade: da pobreza à utilização dos recursos naturais e ao meio ambiente.
A palavra chave que, de qualquer maneira, resume esta nova cultura e as suas implicâncias concretas é “solidariedade”, isto é, a capacidade de desenvolver uma ação
comum que vive o bem comum.